Mostrar mensagens com a etiqueta pensamentos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pensamentos. Mostrar todas as mensagens

sábado, dezembro 24, 2011

são pessoas como tu


São as pessoas como tu que fazem com que o nada queira dizer-nos algo, as coisas vulgares se tornem coisas importantes e as preocupações maiores sejam de facto mais pequenas. São as pessoas como tu que dão outra dimensão aos dias, transformando a chuva em delirante orvalho e fazendo do inverno uma estação de rosas rubras. 
As pessoas como tu possuem não uma, mas todas as vidas. Pessoas que amam e se entregam porque amar é também partilhar as mãos e o corpo. Pessoas que nos escutam e nos beijam e sabem transformar o cansaço numa esperança aliciante, tocando-nos o rosto com dedos de água pura, soltando-nos os cabelos com a leveza do pássaro ou a firmeza da flecha. São as pessoas como tu que nos respiram e nos fazem inspirar com elas o azul que há no dorso das manhãs, e nos estendem os braços e nos apertam até sentirmos o coração transformar o peito numa música infinita. São as pessoas como tu que não nos pedem nada mas têm sempre tudo para dar, e que fazem de nós nem ícaros nem prisioneiros, mas homens e mulheres com a estatura da vida, capazes da beleza e da justiça, do sofrimento e do amor. São as pessoas como tu que, interrogando-nos, se interrogam, e encontram a resposta para todas as perguntas nos nossos olhos e no nosso coração. As pessoas que por toda a parte deixam uma flor para que ela possa levar beleza e ternura a outras mãos. Essas pessoas que estão sempre ao nosso lado para nos ensinar em todos os momentos, ou em qualquer momento, a não sentir o medo, a reparar num gesto, a escutar um violino. São as pessoas como tu que ajudam a transformar o mundo.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum' 

quinta-feira, dezembro 08, 2011

a um amigo

Disseste-me tu, hoje:
É um pensamento meu, que reside no facto de gostar de dar atenção a tudo e todos, e não ter tempo...
É um equilíbrio que me custa encontrar
Creio que também passas (ou já passaste pelo mesmo)...

Ironicamente não falámos mais sobre este assunto, apesar das horas que costumamos falar. Não sei porquê. Talvez não quisesses abordar esse assunto e, eu por um qualquer motivo só me recordei dele quando foste dormir. Não, não foi isso...
As minhas deambulações sincronizam-se com a noite, melhor, com as altas horas da madrugada, é nesse espaço que elaboro o meu dia quando o silêncio se instala de tal forma que não existe desculpa de qualquer perturbação.

À falta de palavras minhas e, porque muitos já escreveram belas, mas também duras e, sensatas palavras sobre o sentimento de não conseguirmos responder satisfatória e prazerosamente a todas as solicitações que se nos colocam, deixo daquelas que li as que me marcaram mais.
De Sartre aprendi sobre a realidade humana que ser é escolher-se: nada lhe vem de fora, nem tão pouco de dentro, que possa receber ou aceitar. Está inteiramente abandonada, sem auxílio de nenhuma espécie, à insustentável necessidade de ser até ao mais ínfimo pormenor. Assim, a liberdade não é um ser: é o ser do homem, quer dizer o seu nada de ser. (…) O homem não pode ser ora livre, ora escravo; ele é inteiramente e sempre livre, ou não é.
E é em estar, sentir, contemplar - com as angústias de que fala Exupéry - que é possível Ser. Porque as angústias invadem quer o inquieto, exclusivamente deslumbrado por aquilo que arde com uma luz vaga; quer o poeta cheio de amor pelos poemas que nunca escreveu o seu; quer a mulher (e o homem apaixonados) pelo amor, mas incapaz(es) de devir por não saber(em) escolher.
Exupéry acreditava que essas personagens sabiam que ele podia curá-los da angústia, bastava para isso que ele lhes permitisse esse dom que exige sacrifícios e escolha(s) e o esquecimento do universo.
E explicava porquê. Porque determinada flor é, em primeiro lugar, uma renúncia a todas as outras flores. E, no entanto, só com esta condição é bela. É o que acontece com o objecto da troca. E o insensato, que vem censurar a esta velha o seu bordado, sob o pretexto de que ela poderia ter tecido outra coisa, demonstra com isso que prefere o nada à criação.

Sim! É como diria Pavese a ironia da escolha. É um sinal do carácter trágico da vida, que consiste no facto de um valor não se conciliar com outro. Renunciamos a muitas coisas para ter uma só e as pessoas que tomam como garantida qualquer coisa entram em colisão com quem tem esta visão pois, pretendem escapar a esse lado trágico da vida. As pessoas que gozam vagamente qualquer coisa, idem, na medida em que também negam, por avidez, a incerteza e a contingência. Aspirar a qualquer coisa, pretendê-la, é em si mesmo agressivo na medida em que suprime a ironia da vida.

Passamos a Freud! Odiamos os outros porque nos odiamos a nós próprios. O que se pode estender a tomarmos por garantido o que não devemos. Irónico? Certo?! Talve a fé seja aqui a solução... mas sobre isso saberás certamente mais respostas e questões que eu !

No fim, criamos aquilo que está em nós, o que somos e, não podemos ser uma e outra coisa. O ser e a sombra, da Ursula K. Le Guin, nomes diferentes mas, unos e, só aquando da descoberta desses dois, apenas um, Ser.






 Love - Devotion
Feeling - Emotion

Don't be afraid to be weak
Don't be too proud to be strong
Just look into your heart my friend
That will be the return to yourself
The return to innocence.

If you want, then start to laugh
If you must, then start to cry
Be yourself don't hide
Just believe in destiny.

Don't care what people say
Just follow your own way
Don't give up and use the chance
To return to innocence

That's not the beginning of the end
That's the return to yourself
The return to innocence

P.S.: obrigada por me fazeres pensar e, de alguma forma, ter voltado a encontrar prazer em escrever

segunda-feira, dezembro 05, 2011

Deambulações

O caminho não é plano. As saídas, cruzamentos, curvas, depressões, intersecções e obstáculos surgem ao longo da viagem. Muitas vezes inesperados. Do meu agrado ou incómodos. Às vezes sem o tempo necessário para pensar e ponderar reajo não ajo!
A necessidade de confirmação pela realidade das leituras que vou fazendo torna-se cansativa. Ah! A simplicidade de viver a fantasia, de a sonhar, idealizar... Nada comparável com o exercício de análise que a realidade me pede e com o qual me confronta...
Olhar, tocar, cheirar, ouvir, saborear, codificar o que os sentidos captam por um instante de uma só vez, depois analisar todas as fracções de segundo para lhes tirar o sentido. Interpretar o mundo e os contextos onde me movo. Saber destrinçar os meus papéis, os meus sentimentos face aos mesmos, reflectir, agir. Não acredito que alguém possa fugir a esta àrdua tarefa diária repetida 365 dias durante uma vida.
Não fossem os meus refúgios e seria, certamente, insuportável esta procura de sentido, do meu lugar no mundo.
Sim, o amor!

quarta-feira, novembro 19, 2008

O que une um homem a uma mulher

Amor & Psyché de Edvard-Munch, 1907


"O que une uma mulher a um homem não passa por nada do que aparentemente vale. Passa por onde? Não, não: pode não ser por aí, embora seja fundamentalmente por aí. Porque mesmo aí outros poderiam cumprir melhor, com o acréscimo do resto. Há uma falha (uma falta) essencial na mulher que só um certo homem pode preencher. E não é necessariamente essa. O mais misterioso no domínio das relações é o que se situa nas relações amorosas. Ou seja no que há de mais íntimo, essencial, primeiro do ser humano. Um labregório qualquer, torto, bronco, cabeçudo, pode ser amado pela mulher mais divinal e inteligente e ilustrada e refinada de figura. Haverá, pois, para o homem dois mundos que não comunicam entre si e que se separam na porta do quarto. Poucos são os que a atravessam em glória — idos da rua ou para a rua.
Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'

segunda-feira, setembro 29, 2008

agradar!!!

"Aqueles que procuram agradar andam muito enganados. Para agradar, tornam-se maleáveis e dúcteis, apressam-se a corresponder a todos os desejos. E acabam por trair em todas as coisas, para serem como os desejam. Que hei-de eu fazer dessas alforrecas que não têm ossos nem forma? Vomito-os e restituo-os às suas nebulosas: vinde ver-me quando estiverdes construídos. As próprias mulheres se cansam quando alguém, para lhes demonstrar amor, aceita fazer-se eco e espelho, porque ninguém tem necessidade da sua própria imagem. Mas eu tenho necessidade de ti. Estás construído como fortaleza e eu bem sinto o teu núcleo. Senta-te ali, porque tu existes".
Antoine de Saint-Exupéry, in Cidadela

terça-feira, setembro 16, 2008

o que me alegra

A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo

In Poemas Inconjuntos [16]
Fernando Pessoa

sexta-feira, setembro 05, 2008

sintoma do que sinto

Uma ligeira dor de cabeça, surgida num curto espaço de tempo, ao fim de um longo dia de trabalho. Trabalho desse de secretária, em que se queimam as pestanas, se cansam os olhos, e se fritam os neurónios por querer produzir algo que ansiamos no mínimo inspirador. Não sei se para quem lê, se para mim que o executo. Não precisa ser algo realmente inovador, mas algo que dê que pensar. Não tem que ver com a beleza da escrita. Tem que ver com o conteúdo, semântica e sintaxe. Com a estrutura encadeadora e fluída. Procuro, mas torna-se difícil chegar lá.
Uma frase, depois mais outra. Faço um parágrafo, volto a ler. Não gosto, não sinto entrusamento com o meu ser. Parece que são meros arranjos de palavras que ali estão. Paro um pouco pra espairecer, beber um café, ver um episódio de uma série Os amigos de Brian.
Volto ao computador, cheia de energia, que aliás nunca abandonou a minha mente, tal é o buliço de ideias, pensamentos acerca do discurso que pretendo e anseio colocar no papel. Finalmente o desabafo: porra! é apenas um trabalho. O primeiro, não será concerteza o último. Não sei se tem mesmo que ver com a nota. Sinto que o que me importa mesmo é que seja algo que possa valorizar. Valorizar-me a mim. O que aliás parece estúpido, agora que penso e efectivamente o escrevo. Não me vou valorizar ou desvalorizar por causa de um trabalho, talvez nem o meu futuro dependa desse trabalho. Investigar, questionar, perscrutar, e agora parece-me mesmo que o melhor é procrastinar.
Procrastinar será, é o que está enraizado nesse inconsciente que não tenho capacidade de verbalizar oralmente, e daí a psicossomática, sinal do que sinto?! Mas não podia ter ficado simplesmente com a ligeira dor de cabeça, tinha de me atacar as amígdalas! Essas massas de tecido linfóide que estão na entrada da garganta, e que pelos vistos tinham que dar sinal mais que percebido no seu sentido psicológico, sentido neste corpo que é meu e que neste instante sinto não cooperante. E pensar que é no facto de eu possuir a linguagem que me permite descrever o que sinto que reside o facto desse sentir, e não outro, existir.
Não leio mais hoje, e vou tentar não esquecer-me da última frase que acabo de ler:
“O projecto como uma construção racional é, hoje, uma grande ferida que nos faz desconfiar dos nossos sonhos, temer sonhar conjuntamente e fabricar algo mais terrível que a realidade (...). Os nossos sonhos não dizem mais do futuro, como os antigos oráculos, ou as utopias dos séculos anteriores, mas decifram-nos interminavelmente o passado. O passado de uma razão triste, cuja crise pode ser vista e sentida nessa outra crise que é a da imaginação” (Afonso, 1986, p. 17).
É essa imaginação que neste momento me falta. Ou então decidiu ir passear, sem me avisar com antecedência, sem me dizer para onde foi. Logo agora, que precisava tanto dela para me ajudar a elaborar o pensamento. Só me apetece mostrar-te a língua! Volta quando quiseres :p
Referência:
Afonso, L.. (1986) Viagens as Utopias: Crise no Imaginário Social, Revista Cadernos de Psicologia, V. 1 , n º 2. (p. 5 a 18). Belo Horizonte, ed. UFMG,.

sexta-feira, julho 25, 2008

Give me a whisper
And give me a sign
Give me a kiss before youtell me goodbye
Don't you take it so hard now
And please don't take it so bad
I'll still be thinkin' of you
And the times we had...baby

Guns N' Roses

sexta-feira, maio 23, 2008

loucura da normalidade?!

"Sabeis o que me aconteceria se procedesse assim?
Acontecer-me-ia que, ao querer curar a loucura dos outros, cairia na demência de que eles próprios sofrem."
Tomás Morus, in A Utopia, p.60
Agradeço aos meus amigos a partilha, a altas horas da madrugada, destas deambulações numa aplicação das artes adivinhatórias, que por magia, resultam em reflexões profundas acerca da nossa realidade momentânea! Libertam-me!

quinta-feira, maio 15, 2008

energia contagiante

Hoje foi assim, descobri novamente a alegria de partilhar ideias e pensamentos, desejos e projectos para um mundo, em que a regra não é a confirmação quotidiana da fatalidade negra das notícias deprimentes apresentadas como inevitáveis e talvez perenes mas, em que do sonho se pode almejar transformar essa realidade contextualizada cinzenta num arco-íris onde todos podemos ter um papel activo, significar uma cor.
Fui contagiada pela força de tantos outros que como eu sonham, lutam e querem um mundo melhor. Percebi que há pessoas que não têm medo de questionar: "está a propôr-me uma revolução?!". Sim, estou! Quero! Necessito! Precisava da rememoração do sonho que comanda a vida, para continuar a lutar e não definhar de braços cruzados neste mundo que querem que percepcionemos cinzento e sem outros caminhos para desejar, construir e percorrer. Só por isso, hoje foi um dia em que valeu a pena!
Relembro então, como o fizeram a mim, Brecht: "... primeiro, vieram buscar os comunistas, mas eu, como não era comunista, não me importei; depois, vieram buscar-me a mim. Era tarde demais". Nunca é tarde demais para mudar de atitude face aos que nos oprimem, aos que nos fazem crer que não se pode sonhar, aos que nos excluem. Nunca é tarde demais para nos mudarmos, mudarmos as perspectivas, as práticas, mudarmos o mundo.

segunda-feira, maio 12, 2008

hummm!

Não suporto pensar que te sou invisível quando tens um olhar perscrutador!

domingo, maio 11, 2008

Prom

Luzes, acção, a festa vai começar! Não?! Ok, voltemos um pouco atrás.
Foi preciso escolher os trapinhos, calcorrear as imagens mentais que fizemos dos mesmos para conseguir numa qualquer loja, ver, experimentar e dizer, é este!
Depois foi a trabalheira que a beleza exige, do cabeleireiro, de arranjar as unhas, de ter em atenção os pormenores da bijuteria que acompanharia os trapinhos, os sapatos, os cintos, as faixas, os casaquinhos, e os sobretudos por causa do frio que se faz sentir neste mês de Maio.
Ufa! Finalmente chegou-se àquela parte em que se abriu uma garrafinha de vinho, encheram-se os copos com pompa e circunstância, que estas coisas não acontecem todos os dias, e são para celebrar com espírito de entrega a Baco!, fez-se um brinde, trocaram-se palavras, gestos e risos. Tiraram-se fotos, fizeram-se filmes, tudo recordações de uma memória tão recente, para a posterioridade.
Lá fomos, vestidos a rigor a caminho do banquete, ao encontro de outros colegas que, quiçá, também alimentaram a esperança que talvez para mim este evento significou, uma mudança. A esperança do que ainda falta viver, daqui para a frente, do que se quer, do que se deseja fazer ao fim de todo este tempo de dedicação, a algo que sinto que faz parte de mim, de que não me posso apartar, que me completa, mas que continuo incessantemente a buscar e que quero alcançar e conhecer, sempre mais.
O banquete foi maravilhoso, pela companhia, claro. Um quarteto altamente fantástico, um pouco sádico, mas cheio de espírito de entreajuda, de pensamentos, ideias, e uma imaginação fértil que não deixa ao acaso seja qual for o pormenor. Ok, isto agora pareceu um pouco obsessivo!!!!!!!!
Valeu a pena! Queria outro destes! Sorrio...
Para dormir é que foram elas. A rabugice já era muita, mais nuns que noutros. Mas gosto muito de gente rabugenta, reivindicativa, com presença. E dos menos rabugentos também gosto muito, que alguém tem que ter os pés na terra, para que outros possam voar (embora eu ache que juntos voamos todos... ups!)...
Adorei todos os momentos. Vocês são Liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiidoooooooooooooooooooooooosssssssss

quarta-feira, abril 30, 2008

há dias...

em que existe em mim não apenas cansaço como diria Álvaro de Campos, mas uma frugalidade face aos actos diários de certas pessoas para comigo que me incomoda, pelo facto de não parecer adequada, ou melhor, por não suscitar nessas pessoas um agir conforme às suas verdadeira intenções. É como se fosse uma auto-agressão, movimento de fuga que exerço para não te agredir. Aliás, tenho muitas dúvidas, que mesmo expelindo todo este "veneno" que se entranhou (porque eu deixei) na minha corrente sanguínea, e que mesmo passando pela oxigenação não se renova, não me estivesse a agredir ao mesmo tempo que te agrido!!!!!!
Na realidade estou farta de perder tempo a falar de ti, a pensar em ti, nas palavras que proferes e nos actos que exerces, e que me deixam vezes sem conta a imaginar mil cenários e a colocar mil e uma hipóteses para todos os sucedidos, mal-entendidos, sublimações, chapadas de luva-branca, cinismos (e não é porque professes a escola filosófica do cinismo de Antístones ou Diógenes de Sínope), etc.
Não sei lidar com gente sonsa, que fala por entremeios, e entredentes, de entretantos e entrementes...
Sufocas a minha típica existência feliz, espontânea, reivindicativa, assertiva, sem tampões excusados por não ligar a falsos moralismos e mais ismos de que a tua postura e o teu ser se compõem, respiram e vivem. Mas, satisfaz-me saber que dias não são dias, mesmo que sigam durante períodos que parecem não acabar, em que o sol desaparece e as nuves aparentam escondê-lo. Escondem-no, mas ele mantém-se lá, não desaparece, nem evapora, por muito que as nuvens queiram e teimem em aparecer. Como eu, não que eu pense que sou o Sol (essa vertente narcísica é mais tua), que também não desapareço por me tentares desdenhar, desvalorizar, ou oprimir.
Como estamos em Abril, lembro-me que nada é impossível de mudar, dizia Brecht:
"desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar".
É facto, há hábitos e atitudes difíceis de mudar. Mas se queremos que mudem temos que tentar, por mais que nos custe, que nos magoe e exija esforço. Sim, sou daqueles loucos que acreditam que podem transformar o mundo! Que a minha loucura me permita continuar a lutar, que não seja castrada por sujeitas/os como tu, mas reforçada.

quinta-feira, abril 24, 2008

o verdadeiro gesto de amor

"Aquilo que de verdadeiramente significativo podemos dar a alguém é o que nunca demos a outra pessoa, porque nasceu e se inventou por obra do afecto. O gesto mais amoroso deixa de o ser se, mesmo bem sentido, representa a repetição de incontáveis gestos anteriores numa situação semelhante. O amor é a invenção de tudo, uma originalidade inesgotável. Fundamentalmente, uma inocência."
Fernando Namora, in "Jornal sem Data"

quinta-feira, abril 17, 2008

chuva & pensamentos...

"Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais"
in Alberto Caeiro, "Eu nunca guardei rebanhos"

sábado, novembro 10, 2007

Ócio

Há dias que parecem perfeitos pela clareza de pensamentos e emoções. Em que tudo se conjuga há nossa volta, ou então, é apenas a mudança de perspectiva que nos leva a sorrir mais uma vez e outra, até à altura em que nos conciliamos com o nosso mundo onírico. Aí sonhamos, talvez a idealização de um desejo ou vários, ou a elaboração do mundo real. Mas não é do mundo onírico que quero falar, pensar e escrever!
O ócio pode ser coisa mal vista no nosso tempo, mas um tempo de ócio é sempre algo que às vezes nos faz felizes. A agradável sensação de chegar a casa, ligar a aparelhagem, escolher algo que se goste para alimentar a nossa audição, enquanto escolhemos esse néctar Baco com que nos vamos deleitar.
Abrir a garrafa, ouvir o ploc!, experimentar o aroma da rolha que desvenda por segundos o sabor que dentro de instantes iremos saborear e que irá percorrer o nosso corpo num momento de exaltação maior, aumentar o som que desperta a audição dos nossos sentidos e sentimentos, e entregar-nos ao momento... Haverá algo tão simples, num sistema coordenado de acções, mais maravilhoso e, que nos deixe a derreter lentamente, como se em "banho maria"?!
É esse ritual, como outros, que têm sempre o seu ritmo e espaço, que me faz querer viver, cada vez mais, todas as deliciosas maravilhas que a vida nos reserva. Para que possa nos momentos em que estou a sós apreciar a beleza que me escapou no agir. Como este vinho que saboreio e que me traz ao espírito todos os segundos de ócio que, hoje, me apetece condensar neste único momento! Carpe diem!